Qual é a principal tarefa do SINASEFE neste ano?


Qual é a principal tarefa do SINASEFE neste ano?

Muitos no SINASEFE afirmam que a principal tarefa, em 2026, seria reeleger Lula para presidente. Neste texto, mostraremos que essa análise é um equívoco.
Com isso, não queremos dizer que um governo de esquerda moderada não seria preferível a um governo de extrema-direita. Porém, devemos considerar os seguintes pontos:

1. Não há apenas um candidato de esquerda concorrendo ao pleito. Este ponto é muito importante: o pertencimento ao sindicato não se dá sob uma base ideológica (liberal, social-democrata, comunista, socialista, etc.) nem, ainda menos, por um projeto político-partidário compartilhado. As pessoas estão no sindicato para defender os seus interesses (de classe): pretender que quem está junto para lutar por melhorias trabalhistas da categoria se una em torno de um projeto político-partidário está errado politicamente e configura um desvio de função do sindicato.


2. É esperado que muitos e muitas entre a categoria votem num candidato de esquerda — e, possivelmente, no Lula no segundo turno — de modo que as declarações de coletivos do SINASEFE apoiando Lula mais fazem propaganda do próprio coletivo do que contribuem, de fato, à reeleição de Lula.

 
3. É possível que a atividade “eleitoral” do sindicato - e de alguns de seus coletivos - contribua, em algum grau, para a vitória de Lula. Mas a qual preço? Um sindicato que apoia — de graça, sem ter negociado nenhuma contrapartida! — o governo, produz um tríplice efeito: a. fica “amarrado” ao governo mesmo depois das eleições, não tendo a necessária autonomia para organizar as lutas eficazes da classe; b. muitos dirigentes ficam num conflito de interesses entre a carreira sindical e a carreira político-institucional; c. por fim, o governo vê, na prática, que a luta liderada por aquele sindicato que o elegeu é inócua, porque, ao fim e ao cabo, o sindicato será sempre colocado a serviço do governo.  

Frente a tudo isso, a pergunta que precisamos fazer é:

Ter um governo de esquerda é condição suficiente para um grande avanço dos trabalhadores?

Devemos considerar que, nos últimos trinta anos, em quase vinte deles, o Brasil foi governado por um partido de esquerda. E, após esse período, o país perdeu quase 30% de sua indústria, privatizou quase todas as suas estatais e, em cidades como São Paulo, vemos uma família em situação de rua a cada esquina.

É fato que, durante alguns governos do PT, houve avanços. Porém, tais avanços foram tão superficiais que foram quase todos destruídos em menos de 6 anos em que a Direita esteve no poder.

Com isso, não queremos dizer que o PT não tentou mudar a realidade do país, e sim que, por tentar fazer isso dentro das regras do “sistema”, teve que negociar de maneira rebaixada com a burguesia. Não há nada que garanta que tudo será diferente num próximo governo de esquerda.

Para que ocorram mudanças efetivas no Brasil, precisamos da luta dos trabalhadores na rua.

Somente a mobilização dos trabalhadores pode mudar a realidade brasileira.

Voltando à realidade da rede federal de ensino: a última parcela de reposição do último acordo de greve veio agora em maio; paralelo a isso, a  carreira EBTT foi destruída pelo próprio governo na virada de ano 2024-2025; o ponto docente ainda está de pé; e muitos campi sobrevivem e oferecem serviços básicos como o bandejão somente graças a emendas parlamentares, renovadas de seis em seis meses.

Precisamos começar agora uma nova campanha salarial juntamente com a cobrança dos itens não cumpridos do acordo de greve e pela melhora das condições de trabalho no IFSP. É uma campanha que precisa começar AGORA, para começar a mobilizar a classe para a luta que está por vir, independente de quem vier a ser presidente. Essa deveria ser a principal tarefa do SINASEFE neste ano.


 

 


 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Todo apoio à GREVE DOS ESTUDANTES!

FALSAS ANÁLISES

IFSP com 5 reitorias: boa novidade ou péssima mossa?