JIF: da incompetência à truculência
Talvez os servidores não entendam a importância que os alunos dão ao JIF (Jogos do Instituto Federal). Porém, basta observarmos que eles treinam o ano todo, se programam com antecedência e inclusive desmarcam compromissos familiares para participarem do evento para entendermos a dimensão dos jogos na vida deles.
No ano de 2024, o JIF estava previsto para o período de 21 a 24 de novembro. Porém, no dia 14, a PRE (Pró-reitoria de Ensino) enviou um ofício desmarcando os jogos para a região na qual está inserido o Campus Araraquara. No dia 19, foi marcada uma nova data, porém, até isso ocorrer, houve protestos por parte de alguns estudantes, que se sentiram injustiçados. Esses alunos protestaram através das redes sociais e, no calor da emoção, dois deles se exaltaram e atacaram verbalmente o reitor.
A partir desse momento, deu-se início a uma série de e-mails e ofícios para um processo de “punição exemplar” a esses estudantes, numa rapidez que poucas vezes se viu no IFSP.
No dia 25, a chefe da delegação de Araraquara recebeu a notificação de que os dois alunos foram excluídos da Etapa de Barretos dos JIF 2024, sem que antes fosse formada uma comissão disciplinar ou que os alunos tivessem o direito de se defender. Essa foi uma ação truculenta, que fere o próprio Art. 15, § 2º do Regulamento Geral JIF SP 2024, além da Constituição Federal/1988 (Art. 5º Inciso LV) e o Código Brasileiro da Justiça Desportiva (Art. nº 2, Incisos I e III).
Como se não bastasse a punição na competição, os alunos ainda serão punidos conforme o RDD. Um deles já recebeu dois dias de suspensão; em relação ao outro, ainda não foi divulgada a punição. Novamente, o processo correu com uma rapidez de fazer inveja a Usain Bolt, principalmente numa instituição como o IFSP, onde casos de racismo e de assédio moral e sexual acontecem, praticados tanto por estudantes quanto por servidores, e cujos processos tramitam por meses e, em muitos casos, terminam sem punição aos agressores. Esse caso faz parecer que uma ofensa ao reitor merece prioridade em relação a qualquer outra infração cometida no IFSP.
Essa ação parece querer mostrar aos alunos e à toda a comunidade do IFSP que a reitoria não aceitará contestação às suas decisões e que agirá com toda truculência possível sempre que uma contestação ocorrer. Além disso, essa postura autoritária da reitoria mostra uma incompetência do ponto de vista educacional, pois adotou uma solução puramente punitivista para lidar com a situação.
É necessário que a comunidade toda se posicione contra essa ilegalidade, pois a repressão contra um hoje pode ser a repressão contra todos nós amanhã.

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