IFSP com 5 reitorias: boa novidade ou péssima mossa?
O IFSP está ficando cada vez maior com a implantação dos novos campi, de modo que a ideia de descentralizar o “comando”, criando mais reitorias, parece sensata e até necessária. Contudo, precisamos avaliar na situação real e concreta o que isso vai significar.
1. Em primeiro lugar, as modalidades: o projeto de criação de 4 novas reitorias foi anunciado num palanque eleitoral do Lula, junto ao Silmario, sem que nenhuma - nenhuma! - discussão tivesse acontecido antes no IFSP. Todo mundo foi pego de surpresa! Isso contraria profundamente o espírito democratico que deveria permear o Instituto Federal e joga uma sombra obscura sobre o gerenciamento antidemocrático das futuras reitorias.
2. Se esse foi o primeiro passo, estamos com medo de ver os próximos: para cumprir com o espírito de gestão democrática, os novos reitores deveriam, desde a primeira vez, serem eleitos. O que tudo deixa transparecer, será o exato contrário: reitores nomeados baseados na fidelidade ao Silmario e ao governo. Ainda, diga-se de passagem, nada garante que a criação das novas reitorias aconteça neste final de Lula 3. E, se o próximo governo for abertamente autoritário e fascista? Quem vai ser nomeado? Interventores militares? cenários terríveis podem aparecer…
3. Ainda, estamos vendo já com esta expansão de campi o que está acontecendo: muitos novos diretores (e DAEs, DRGs,... ) são escolhidos baseados na fidelidade que demonstraram ao reitor. Isso é um forte indício de como se daria a construção de novas reitorias: um processo antidemocrático baseado no projeto de poder do atual reitor.
4. O orçamento da educação federal, apesar dos vácuos proclamas do Lula, permanece estagnado a valores de 2016. Isso repercute diretamente nas condições do nosso trabalho: aulas que carecem de computadores, máquinas fotocopiadoras que não podem ser consertadas por falta de peças, restaurantes estudantis que funcionam na base de emendas parlamentares, diretores que vão periodicamente para Brasília mendigando fundos, campi que disputam entre si as migalhas que chegam do orçamento federal,...
Neste quadro terrível e desolador, nos perguntamos: com que dinheiro serão construídas e mantidas em funcionamento as novas reitorias? Pergunta retórica: sem o desmonte do maldito arcabouço fiscal, o dinheiro será simplismente retirado dos campi que já existem.
5. Ainda não foram implementados os concursos para preencher as vagas dos novos campi: tudo indica, portanto, que também as novas reitorias irão funcionar, por muito tempo, “roubando” colegas do chão dos diferentes campi, precarizando ainda mais as condições de trabalho.
Frente este quadro, pensamos que o debate - que deve acontecer, tanto no IFSP quanto no sindicato - não possa ser um enfrentamento teórico sobre a descentralização da direção do IFSP - descentralização, em se, potencialmente positiva -, mas sim uma análise concreta das características que esta divisão terá: ao que tudo indica, será um processo antidemocrático, construído de acordo com as ambições do atual reitor, subfinanciado, que irá ainda mais precarizar o nosso trabalho no IFSP.
Precisamos, portanto, debater e nos posicionar, para que evitemos mais um prego no caixote do IFSP.

Comentários
Postar um comentário