Questão da sede: uma sucessão de erros

 Durante toda a campanha política da última eleição para a escolha da coordenação funcional, os eleitores foram bombardeados por textos que exploravam a questão da sede do sindicato na seção São Paulo.

Mesmo que muitos sindicalizados nunca passem pela sede do SINASEFE SP São Paulo, a importância de ter uma sede na capital é indiscutível e a história de como foi perdida é importante pois ilustra como erros políticos sucessivos podem levar a uma catástrofe. 

A discussão parece meio alienígena para aqueles que não conhecem o processo que levou à perda da sede histórica do SINASEFE SP no Campus São Paulo.A história começa ao final do mandato da coordenação funcional do SINASEFE SP que assumiu em 2019. Aproveitando a onda conservadora e antissindical que assolava o país no governo Bolsonaro em época de pandemia, a direção do Campus São Paulo e a Reitoria, que compartilham o mesmo terreno, requisitaram dois espaços ocupados pelo SINASEFE SP - o local onde funcionava a sede do sindicato e o prédio localizado no bosque.

Uma parte do movimento sindical propôs resistir e manter a ocupação dos espaços, mas a coordenação funcional da época não acreditava na possibilidade de mobilização da base e preferiu tentar um acordo com o reitor. Esse foi o primeiro grande erro: a força do sindicato está nas suas bases e não há como fazer uma negociação quando um lado, no caso o nosso, não tem nada a oferecer.

Para não dizer que nenhuma mobilização foi feita, foi organizado um ato virtual (sim, você leu corretamente!), transmitido via YouTube e com participação de parlamentares e candidatos do campo da esquerda. E esse foi o segundo grande erro: apostar todas as fichas em políticos em época de eleição. Mesmo quando se trata de parlamentares de esquerda comprometidos com pautas populares, a ação deles sempre precisa estar sustentada em um movimento da base

Sentindo a debilidade do SINASEFE SP, o reitor então propôs ceder um terreno na portaria C para o sindicato construir sua sede. A proposta era ilegal, uma vez que a área do Campus São Paulo do IFSP foi cedida pela prefeitura do município, sendo impedida,  por lei, de ser repassada a terceiros.

A AGE (assembleia geral extraordinária) que aprovou o acordo merece um capítulo à parte.

Foi uma assembleia longa, na qual a sede foi o último ponto de pauta. Num momento já esvaziado, a assessoria jurídica do SINASEFE afirmou que a proposta estava dentro da legalidade e, com votação apertada, o acordo foi aprovado. 

Incapaz de enxergar o erro político e jurídico que cometeu, a então coordenação funcional investiu em torno de R$ 600.000,00 na construção de um prédio, que não chegou a ser concluída, já que a obra foi embargada pela prefeitura.

Numa última tentativa de reverter o processo de desastre, a funcional repetiu o erro anterior, pedindo a vereadores e deputados de esquerda que fizessem um projeto de lei, no qual o terreno fosse cedido ao SINASEFE SP. Manobra infrutífera pelos motivos já expostos antes. O argumento para este movimento foi “para manter o pé dentro do campus São Paulo e poder continuar a luta”: motivação louvável mas que não se concretizou, frente ao autoritarismo do então diretor (Shiga) e do  - infelizmente - atual reitor, Silmario. É importante deixar nítido: todo mundo pode errar, mas em política é fundamental reconhecer os erros e admiti-los publicamente.

Diante do desgaste ocasionado pela perda dos recursos financeiros dos sindicalizados, é necessário tirar daí uma lição: seja a luta por grandes ou pequenas conquistas, a categoria deve contar principalmente com a mobilização de suas próprias bases. Confiar exclusivamente na justiça ou na articulação parlamentar é o caminho do desastre. 

Por isso, mais uma vez, reivindicamos um sindicato que tenha como sua principal forma de luta a mobilização e o esclarecimento da sua própria base, que dialogue com a categoria e as suas necessidades e que, assim, possa melhor lutar também contra os ataques que diretores, reitores e governos possam fazer contra ele.





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