Reflexões sobre o Ato Contra a Reforma Administrativa em Brasília
No dia 29 de outubro, alguns milhares de servidores públicos estiveram em Brasília num ato contra a Reforma Administrativa. A concentração começou às 9h da manhã em frente ao Museu Nacional e depois seguiu em passeata até o congresso.
O SINASEFE-SP esteve presente com quinze servidores do IFSP. A delegação de São Paulo se destacou pelo seu ativismo e iniciativa: os militantes aproveitaram o dia anterior à mobilização para organizar uma faixa, que foi realizada e utilizada no dia seguinte. Além disso, os integrantes do Coletivo Vozes da Base levaram uma faixa com os dizeres “Contra o fim do RJU - Regime Jurídico Único”), lembrando que os ataques ao funcionalismo público (e ao mundo do trabalho) não vêm somente da PEC 38, mas fazem parte de um cerco onde, também, o Supremo Tribunal Federal (que aboliu a obrigatoriedade da contratação por meio de RJU em 2024, com voto favorável dos indicados por Lula Zanin e Dino) lança as suas bordoadas.
Cabe ainda lembrar que a presença de militantes de várias regiões do Brasil representou um número expressivo, considerando que, por não estarmos em greve, mas somente numa paralisação, alguns companheiros e companheiras tiveram que fazer uma visita relâmpago à Brasília, chegando à Capital Federal e dela retornando no mesmo dia. Ainda, o dia 28 foi de feriado em muitos campi, significando, portanto, que muitos servidores presentes em Brasília sacrificaram um dia de folga para ir à luta.
Por fim, cabe destacar que o ato foi uma primeira tentativa de unificação da luta dos servidores públicos: tivemos a participação de várias categorias e múltiplos sindicatos, como, por exemplo, os trabalhadores do IBAMA e os da Polícia Rodoviária Federal.
Após o ato, uma parte dos 171 deputados que assinaram a favor da Reforma Administrativa retiraram suas assinaturas, o que mostra o acerto da estratégia. Até a data de publicação deste texto, sabemos que ao menos 10 deputados já retiraram seu apoio à PEC 38.
É importante ressaltar, no entanto, que esse ato foi apenas uma etapa da luta contra a Reforma Administrativa. Marcamos um gol, mas o jogo está longe de terminar.
É importante darmos sequência à luta, aumentando o número de servidores envolvidos. Uma boa estratégia seria espalhar essas manifestações pelos estados e chamar ações de sensibilização para a população, mostrando que destruir os serviços públicos no Brasil significa, na prática, a retirada de direitos para o povo trabalhador como um todo.


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