Pontos, reflexões e perspectivas sobre o CONPASI 2025
Domingo, 25 de maio, concluiu-se a quinta edição do CONPASI, o congresso estadual do SINASEFE-SP. Iniciando na sexta-feira, dia 23, foram dias intensos e cansativos de debates sobre conjuntura, teses, nosso estatuto e projetos para o sindicato.
Os debates sobre as teses fizeram aparecer a contraposição de sempre: o polo que quer, incondicionalmente, estar mais próximo do governo e o que deseja um sindicato, de fato, independente e comprometido com os interesses das trabalhadoras e trabalhadores. Apesar disso, todas as teses apresentadas foram aprovadas, com pequenas mudanças, mas as diferenças nas posições não se transformaram em embate aberto - um certo clima ecumênico foi preservado.
Por outro lado, quando foi levantado com força o tema do assédio e das moléstias sexuais no IFSP e no sindicato, surgiram reações alarmadas e descontroladas entre quem gostaria que se continuasse a “passar pano” para os opressores. Isso mostrou uma ferida aberta que ainda não conseguimos sanar no nosso sindicato. Nesse sentido, a sensação é de que não avançamos. Embora o Eixo 2 das teses levadas ao congresso tratasse com destaque o problema do assédio e o tema também tenha sido foco nas mesas de discussão, refletindo uma preocupação cotidiana de nossas servidoras e servidores, nenhuma proposta combativa foi levada adiante.
Outro ponto que causou consternação foi o Eixo 3, com o tema “A luta sindical em defesa do cumprimento dos acordos da greve de 2024 e a garantia dos direitos dos (as) servidores (as) da Educação Pública Federal”. Mesmo diante de toda recusa do governo em dialogar com trabalhadores durante o movimento paredista e a resistência em ceder os ganhos conquistados na greve, o eixo recebeu apenas a contribuição de uma tese, que teria explorado a discussão isoladamente, se não fosse um texto similar figurar no Eixo 1. Causa espanto que um movimento intenso e duradouro, permeado pela constante cobrança em se fazer análise de conjuntura, não seja, neste momento, discutido criticamente e de maneira formal. É como se não houvesse a necessidade, em seu primeiro congresso após a experiência, de avaliarmos ganhos, perdas, rumos e o uso da greve ainda como forte instrumento de luta. Mas se engana quem pensa que o aparente desinteresse pelo tema tornou fácil a aceitação da única tese, provavelmente por seu posicionamento não governista. Os governistas tocam o sindicato discretamente, amenizando e até traindo a luta quando for o caso, mas não têm a iniciativa de se expor publicamente com uma tese política. O máximo que fazem é criticar e espernear quando outros grupos apontam para um caminho mais independente e comprometido com a luta.
A participação do coletivo Vozes da Base foi marcante, pautando boa parte do congresso, apresentando teses, propostas e textos em todos os eixos, tendo inclusive apresentado a única tese para o eixo 3, essa participação expressiva e marcante reflete a constante mobilização e atuação do coletivo em busca de um SINASEFE SP combativo e que de fato defenda os interesses dos servidores independentemente de que esteja ocupando os palácios governamentais no momento em questão.
Foi formada a comissão eleitoral, que tocará, nos próximos meses, o processo de votação que escolherá a nova coordenação funcional da seção São Paulo. Ficaram, mais uma vez, evidentes os movimentos de vários sindicalizados alocando-se nas chapas “clássicas”, seja buscando um projeto político, seja por uma carreira pessoal.
Por seus mecanismos internos e pela atuação de alguns companheiros, a dinâmica do sindicato se assemelha, por vezes, à da areia movediça: algo imóvel, mas que engole quem nele se movimenta. Conscientes disso, precisamos sempre lembrar que o sindicato é nosso, de quem luta, e que é nossa tarefa mantê-lo em movimento, a serviço das classes trabalhadoras.
E já que a luta nunca se encerra, é importante destacar mais dois elementos. Primeiro, o repúdio, decidido em unanimidade, contra a medida do prefeito Ricardo Nunes de afastar 31 diretorias de escolas municipais de São Paulo. Segundo, a intervenção dos estudantes secundaristas e superiores, que nos convidaram a participar das mobilizações estudantis do 29 de maio, contra os cortes (“contingenciamentos”) do governo Lula na educação federal (talvez, quem sabe, o início de um novo “tsunami” em defesa da educação).
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