O declínio do SINASEFE-SP: o bom, o mal, o feio

 No dia 28 de maio, em uma assembleia de quase 8 (oito!) horas, ficou visível, de maneira plástica e cansativa, o declínio do nosso sindicato, o SINASEFE-SP. 

Na incapacidade de gerenciar o sindicato, a coordenação funcional, rachada entre dois coletivos (o grupo agregado ao redor do coletivo Pão & Rosas e o coletivo Retomada da Luta Pela Base - associado ao SPL), convocou a base para conseguir, em assembleia, encontrar um rumo que permita a continuidade dos trabalhos em nossa seção.


Na segunda parte do interminável encontro, a legitimidade e regularidade da eleição de Adelino, um dos coordenadores gerais, foi questionada e, no final, foi decidido que a comissão de ética nacional deve avaliar a regularidade de todos os 16  coordenadores da funcional. Ou seja, foi invocada uma forma de inspeção da coordenação funcional paulista pelo sindicato nacional.
Para além dos casos pessoais, gostaríamos de deixar nítido: é prática comum e transversal que os militantes sindicais acumulem “tarefas” e “cargos”, como coordenador estadual e de base, junto com coordenador de setor e coordenador de curso. Consideramos esta prática, no mínimo, imprópria, já que o mesmo indivíduo não pode representar os servidores e a instituição ao mesmo tempo. Seria como acender uma vela a Deus e outra ao Diabo, já que existe uma luta natural entre os servidores públicos e o Estado representado nos cargos institucionais do IFSP.

Por trás da pauta, os acontecimentos da assembleia mostraram uma dinâmica evidente: muitos “camaradas”, ausentes há meses ou anos na atividade sindical, compareceram em massa à reunião. O que tinham em comum? O fato de trabalharem diretamente na Reitoria ou terem recebido, do próprio reitor, um cargo comissionado (direção-geral, diretoria educacional, etc.) nos campi em fase de implantação. Ou seja, trata-se de militantes que, em sua maioria, priorizam um projeto de poder e carreira pessoal em detrimento da atividade sindical. O que isso significa? Literalmente, assistimos à tropa de choque do reitor vir disputar (ou destruir?) o sindicato e a sua autonomia.
Como foi possível que o nosso sindicato se tornasse vulnerável a esse tipo de ataque? Existem muitas causas e não temos a pretensão de enxergá-las todas, mas, com certeza, uma que consideramos fundamental é o abandono da luta e o desvio de função sofrido pelo sindicato.
Em lugar de fomentar a luta em prol de reajuste salarial, de melhores condições de trabalho, de ampliação do orçamento dos IFs e do cumprimento dos acordos de greve, o nosso sindicato (na figura dos seus coletivos dominantes) atuou, primeiramente, para desmotivar qualquer tentativa de mobilização no começo de 2026 e, agora, quer depositar suas energias na reeleição do Lula.
É isso o que acontece quando o sindicato perde o seu foco e se desvia da sua função principal: interesses espúrios, poderes alheios (como o do reitor) se aproveitam e se alavancam nas rachaduras entre os grupos dirigentes, a fim de domesticar o próprio sindicato e levá-lo à sua destruição.
Deparamo-nos, assim, com uma gestão “feia” do sindicato, que o coloca a serviço de interesses políticos-eleitoreiros e, ao fazer isso, abre o flanco para o “mal” - a direção do IFSP, com a sua tropa de choque, que consegue destroçar o próprio sindicato.
Contra tudo isso, e para se reerguer, o nosso sindicato precisa voltar a ser “bom”. É necessário concentrar-se no que importa e embarcar com tudo em uma campanha salarial forte, levada a cada campus e debatida com todas as bases, a fim de criar uma mobilização profunda e contundente, de modo que, independentemente de quem ganhe as eleições presidenciais de 2026, a categoria esteja pronta para a luta! Somente assim podemos ter um sindicato forte, resistente aos ataques de poderes externos e, ao mesmo tempo, um sindicato que cumpre com a sua tarefa de organismo de classe.
Viva o sindicato! Viva as trabalhadoras e os trabalhadores! Viva a luta dos povos oprimidos!




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Todo apoio à GREVE DOS ESTUDANTES!

FALSAS ANÁLISES